quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sem Assunto

Correndo. Gosto daquela do cara que vai ao médico e o médico pergunta:
- Você bebe?
- Aceito um uisquinho.
Tenho que abrir o blog para ver onde parei. Por falar em parar, voltei. Tive que voltar aos medicamentos. Paciência. Todos esses dias tenho tido compromissos fora de casa e quando não estive em casa não andava muito bem, por isso voltei. Chega de sonhos. Já voltei a acordar no meio da noite como antes era costume. Voltei a cantar. É engraçado isso. A Sertralina me faz cantar. Em falsete. É ridículo. Os gatos ficam assustados, mas me divirto. Algumas pessoas estavam pensando que o lançamento era nessa terça, não é. É dia 6. Livraria da Vila da Fradique. Quanto aos vencedores, podem escolher: ou pegam suas coleções no lançamento ou enviam um email com o endereço para – lourencomutarelli@hotmail.com e eu posto por Sedex. Ainda não determinamos o critério para a seleção. Serão dois vencedores. Um homem e uma mulher para democratizar. Sei que amanha ficarei o dia todo fora e tem um monte de amigos postando comentários por isso resolvi postar hoje. Mesmo faltando assunto. Não destrincharei Xipe-Totec nem falarei da busca sobre referências de possessão na obra de Burroughs. Encontrei menções em cada um dos livros que li. Hoje estou correndo. Voltei a cuidar dos emails e por isso voltei ao blog. Então vamos as respostas rápidas:Azusa, é provável que eu volte a fazer quadrinhos. um projeto para o ano que vem porque recebi uma proposta muito boa. Caso isso aconteça acho quem farei realmente uma história sobre Ets. Quem sabe não cruzo com Burroughs. Ele foi fascinado pelo assunto. Beijo. Cazelli, é interessante pensar nisso. Quando fazia quadrinhos tinha os problemas de sempre só que trabalhava tantas horas por dia e também não bebia, embora abusasse da medicina. Podemos investigar. César, essas coisas viciam mesmo. No livro O Cheiro do Ralo o personagem (sem nome) também assiste Friends. Friends e filme pornô. Ele é tão solitário que em um momento diz: Friends são os amigos que tenho. Valeu, Pacha. Conforme o tempo corre também vou me assemelhando ao Diomedes. Camilo, deu muito trabalho apesar do resultado ser meia boca. O legal era justamente isso trabalhar com recursos muito limitados. Ah! Eu vi o sósia do Diomedes, valeu. Goldstein, acho que eu te conheço por outro nome, não é mesmo? Vitor, tem a ver com isso também. Nos vemos no dia 6. um abraço (me avise que você é você, lá). Noe, por favor, troquemos palavras. Camila, eu estava me referindo em algo que li ( acho que foi na Interpretação dos Sonhos, Freud) já faz muito tempo e dizia que em determinada época e região se um rei sonhava que um conhecido tentava matá-lo em um sonho, essa pessoa podia ser condenada à morte porque segundo a crença não mudamos quando transpomos o plano. Sei que não fui muito claro e muito menos agora, tentando explicar. Quanto a Lucimar acredito que existam outras da mesma natureza, mas é preciso aceitá-las, compreendê-las. Geralmente elas aparecem quando não estamos procurando. Um beijo e boa sorte. Fao, legal. Ygor, prometo fazer um post sobre isso porque a música é a minha religião. Em breve falarei sobre São Horácio. Beto. Tenho um imenso carinho por você, você sabe disso. Obrigado por estar aqui. Vamos marcar um café quando eu voltar do Rio. Leandro Malósi, é preciso drenar. Cicatriz, acho que me lembro desse nick. Obrigado. Obrigado Leo. Abraço, Burrilo. NEET fiz muito rápido. Acho que em um ou dois dias. Ufo na veia. Richard! Ivan! Que saudade! Estou com o seu livro, mas preciso imprimir. Não consigo ler na tela. Por favor quando vier ao Brasil em Dezembro vamos tomar um café. Mande um beijo na Ana. Esther! Eu estive no Rio de passagem. Vamos nos ver no Odeon. O macaco manda lembranças. Ana Rüsche, obrigado. Espero não precisar, mas talvez precise. Um beijo. Thiago, valeu. Adoro o Bortolotto. Seja bem vindo. Sejam todos bem vindos. Abraço. Lourenço

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Circular

video

Então, ontem foi aniversário do Francisco. Logo cedo fiz um esboço de Xipe Totec no meu caderno para postar no blog. Seria a postagem Xipe Totec 2. Depois achei melhor não falar sobre isso no dia do aniversário de meu filho. Porque essa entidade é conhecida como “nosso senhor, o esfolado”. Queria postar algo rápido porque depois que esclareci o mistério que deu origem ao blog fiquei sem assunto. Não queria ficar postando um diário. E ontem tive duas enxaquecas fortes, seguidas. Fazia tempo que isso não acontecia e eu achava que elas tinham voltado em função da Sertralina. Como estou há cerca de oito meses sem tomar essa substância percebo que esse não era o motivo delas terem voltado. No fim tive que tomar meus coquetéis e quebrei o ciclo da diminuição do Lorax. Hoje estou em câmera lenta e com ressaca da medicação. Domingo passei o dia olhando para as paredes. Nem a TV liguei. Ah! Porque essa é outra mudança importante que ocorreu. Eu nunca assistia TV. Quando via algo era DVD. Mas, desde que a Lu passou a trabalhar em uma livraria e geralmente sai às 23:00 e no início saía à meia noite, comecei a ir buscá-la. Para fazer hora comecei a zapear. Acabei ficando viciado nessas séries do Discovery e do History sobre discos voadores. Com isso acabei criando um hábito ridículo. Como nunca me ajeito no sofá, passei a usar um desses travesseiros que se prende no pescoço. Desses que se vende em aeroportos. Comprei um descanso para copos em forma de um mini tapete. “Então encho um copo de uísque, abotôo o travesseiro e como mix de amendoim ou salgadinho Ibsen de camarão e assisto a programas de ET. “Arquivos Extraterrestres”, “Caçadores de Óvnis”, Monsterquest” e por aí vai. Vou pedir para a Lu fazer uma foto desse momento. Para celebrar os 14 anos de Francisco resolvi tentar postar uma animaçãozinha que fiz há uns quatro anos atrás. Apesar de simplória e (como muitos de vocês diriam) tosca, o interessante dessa animação é que fiz no Palm. Há um recurso de interferir em uma foto tirada. Então, fui criando seqüências. O interessante é que tudo era desenhado diretamente na pequena tela do Palm e mesmo os quadros do Van Gogh que aparecem eu desenhei observando as imagens. Espero conseguir postar e tomara que rode. Fiz como passatempo. Tenho mais uma que posto em outra ocasião. Havia uma terceira que perdi.
Respostas rápidas:
Carolina, muitas vezes tenho que perguntar para a Lu se determinada lembrança é real. Vamos em frente. A sorte é que sempre somos os mesmos seja realidade ou ficção. Vitor, a Sertralina sem dúvida me deu a oportunidade de me relacionar com estranhos. Alex Fernandes, Valeu a força. Vittor, força e saudade do Recife. Pitty! Eu adorei te conhecer. Me liga, vamos tomar esse café. Um beijo. Zemma, hoje temos a sorte do DVD caso o filme não chegue. Azusa, continuarei buscando assunto. Gosto de estar com vocês. A Vida como ela está, como chama o seu livro? Camilo, vi o Crumb. Esperava algo menos comportado, mas deve fazer parte da proposta. Recentemente ganhei da Mitie a Bíblia ilustrada pelo Basil Wolverton e é um trabalho muito bom. Hermes, nos vemos no Rio. O Hermes é o meu cunhado irmão da Lu. Te ligo caso consiga um ingresso para a sessão do dia 2. NEET, a tendência é que muitos deles virem filme. Interaubis, um abraço. Mastrianni, um abraço. Goldstein, estamos quase lá. Fernando Cazelli, estou tentando resolver essa questão das HQs estarem disponíveis. Andrei, Jesus Kid é divertido. Gosto da Caixa de Areia. César, Estamos aí. Pacha, um abraço e uma adaptação é um trabalho em outra dimensão. Rodrigo, quem postou isso, você ou o Xico? Yuri, imagino qual seja a operadora telefônica de sua preferência. Marcio Moreno, eu que agradeço.

sábado, 19 de setembro de 2009

Correndo

Foi mais rápido do que pensava.
Agora o dilema. Encontrei o ponto. Sempre me arrependo de me expor demais, mas não funciono de outro jeito. Não me refiro a meu trabalho e sim ao entorno, palestras e entrevistas. O problema é que se a proposta era a investigação desse ponto não posso deixar de citá-lo. Por outro lado, se revelo a descoberta termino o propósito do blog que era justamente encontrar esse ponto. Vamos dar uma volta. Com a diminuição dos medicamentos fico muito sensível porque não estou minimamente anestesiado e sou hipersensível. Qualquer filme que assisto fica difícil engolir o nó que se faz na garganta. Um primo, distante (porque me mantenho distante da família) estava tomando remédios para emagrecer e isso o deixou completamente desequilibrado. Ele trabalhava com algo que envolvia o atendimento ao público e, certa vez, uma mulher disse que se atrasou porque tinha furado o pneu. Meu primo pediu licença e foi chorar no banheiro por causa do tal pneu furado. Ando mais ou menos assim. Nesses dias tenho corrido um pouco, saído mais do que de costume e o ritmo do livro em que trabalho caiu. Pior é que preciso entregar mais um além desse até dezembro. Não que isso seja ruim, é que estou a cada dia mais ansioso com a breve estréia do filme O Natimorto e isso me deixa com certa dificuldade de concentração. Adorei o corte final do filme. Gosto muito da adaptação do Cheiro do Ralo, mas o Natimorto (enquanto livro) é, o meu predileto. É o que eu mais gosto de tudo o que fiz. E o filme é tão próximo do meu “universo”. A adaptação do Paulinho Machline é tão radical e corajosa que isso o traz para muito perto da minha obra. Quando resolvi me oferecer para fazer um teste para o papel do Agente a Lu ressaltou que isso poderia não ser muito bom para mim pelo fato de eu não gostar de expor minha imagem. Mas, como expliquei para a Lu, quando fazemos um filme não estamos expostos, ao contrário, toda a equipe trabalha em nosso favor. Todos trabalham pelo filme e cuidam de nos proteger. Isso, naturalmente, durante as filmagens. A partir do momento em que estréia, ai sim, estamos todos expostos. Em breve pretendo escrever um pouco sobre essa experiência. Se pretendo escrever sobre isso em breve é sinal de que o blog continua. Porque tenho gostado muito dessa nossa experiência. É bom ter vocês por perto. Se o meu trabalho permanece devo isso a vocês. Assim como agradeço à Lu, sou grato a vocês. Já falei um pouco sobre isso no antigo blog. Porque as pequenas editoras continuavam a me publicar porque havia um modesto grupo de pessoas que (insistia) sempre em comprar meu trabalho. E por menor que fosse esse grupo isso fazia com que meus livros não fossem um prejuízo tão grande. Por isso sempre que autografo um livro escrevo “gratidão”. Enquanto me contaminava de Burroughs resolvi fazer algumas experimentações com derivados muito usados por ele. Somado ao mergulho de sua vida e obra ocorreu a transformação. Esse foi o ponto.
Respostas rápidas: Rodrigo Stulzer, é claro que me lembro de você. Na penúltima vez que fui a Curitiba levei seu original. Era o frontispício da Caixa de Areia. Tinha enquadrado esse original para uma exposição e gosto muito dele. Só que ao chegar em Curitiba, tinha ido de ônibus leito, o quadro caiu e o vidro quebrou. Mesmo assim deixei lá na Itibam. Disse a Mitie que se você não se importasse com o desleixo do vidro quebrado o original era seu. Talvez ela tenha ficado sem graça de te entregar em tal condição. De qualquer forma, providencio outro e levo da próxima vez. Um abraço. Rock- Brum! É você Brum? Obrigado pela presença e beberemos no próximo show. Carol, vá com calma! Paulo, abraço. César, tenho realmente tentado alertar as editoras. O problema é que precisariam publicar a obra completa porque só assim, creio, é possível compreende-la. Dafne, obrigado pelo silêncio. Alex Fernades o Tim-Tim é um brinde. A busca é interna. O auxílio muitas vezes vem de fora. Tadeu falarei mais sobre O Velho em uma nova postagem. Gabriel, Almodóvar? Nossas relações internas são realmente confusas. Camilo, fé em deus e pé na tábua. NEET, essa é uma boa pergunta. Onde estará o outro? Talvez junto com os outros que ficaram na estrada. Cazzeli, apesar da pressa gosto de comentá-los. Ana Rüshe, andava pensando em você! Você ainda trabalha com direito autoral? È bom ter você por aqui. Wiskow, eu vou mas eu volto. Paulinho de Tarso! Logo mando a entrevista. Um beijo, meu irmão. Alexandre, a Companhia fez mudanças apenas na edição, capa e algumas vinhetas. Azusa, um abraço. Zimmermann, li muita coisa. Prometo detalhar numa postagem futura. Sim. Eventualmente tenho lido ficção. No momento terminei de ler um livro muito ruim do cara que escreveu o roteiro do último filme do Kubrick, De Olhos Bem fechados. Frederic Raphael. O problema é que ele é um sujeito muito arrogante. E o livro faz um monte de promessas que na cumpre. Mesmo assim caso haja interesse o título é “Kubrick de olhos bem abertos – a história secreta do último filme de Kubrick - Geração Editorial. Obrigado Socorro. Valeu, Guisalla.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O VELHO


O VELHO

Um ponto muito importante em nossa investigação. Talvez eu tenha chegado ao cerne. Vamos aos poucos. Quem leu meu último livro “A Arte de Produzir Efeito sem Causa” perceberá um forte paralelo entre o processo de escrever esse livro e o próprio argumento. Não me lembro exatamente quando, creio que foi em 2007 ou talvez 2006, ganhei de presente de meu amigo Rodrigo Teixeira a edição em DVD do filme Naked Lunch de David Cronenberg. Fui iniciado na obra de William Burroughs por um amigo o Alemão (Paulo Arato era um surfista descendente de japoneses que usava o cabelo parafinado - daí o apelido). Creio que isso foi entre o fim dos anos 70 ou começo dos 80. O Alemão foi um verdadeiro iniciador literário para mim. Tentei ler uma edição portuguesa de Naked Lunch, mas não consegui avançar muito. Da mesma forma tinha assistido ao esse filme no cinema nos anos 80 e não tinha gostado. Dessa vez cheguei seria diferente. Profundamente diferente. Ao assistir ao DVD muitos pontos começaram a se unir em minha mente. Decidi que precisava reler urgentemente o livro. Dessa vez o livro também bateu fundo. Sai atrás de tudo o que pudesse encontrar do Burroughs. Infelizmente poucas de suas obras foram publicadas no Brasil. Obcecado, decidi importar a obra completa de. Como o meu inglês é precário comprei toda a obra em inglês e espanhol para cruzar as leituras. Na verdade encomendei através de um sebo (parece que é alemão) que tem uma rede com sebos do mundo todo. ABE books. Estava cada vez mais propenso a incorporar o resultado da leitura à obra que escrevia. Aguardava ansioso pela chegada dos pacotes. Antes de Burroughs vinha de um jejum de vários anos em ralação a ficção. Vinha me dedicando a estudos de demonologia. Há muito não lia ficção. Comecei estudando as inquisições, depois passei à demonologia em questão e já estava lendo sobre êxtase e possessão quando esbarrei em algo que apontava (muito de leve) que Burroughs teria declarado, em algum momento, que o evento do assassinato de sua esposa se devia a ele estar possuído. Possuído pelo Espírito Medonho. Ganhar o DVD foi um sinal interessante naquele momento.
Conforme os livros iam chegando eu mergulhava cada vez mais fundo no incrível mundo de sir William Burroughs. Devorei (conforme a divisão feita em trilogias por alguns de seus estudiosos): Junky; Queer; The Yagé Letters. Segui por: Naked Lunch. E então, a série de cut-ups : The Soft Machine; The Ticket That Exploded; Nova Express. E então encarei a “trilogia da noite vermelha”: Cities of the Red Night; The Place of Dead Roads e The Western Lands.
Estava completamente tomado por tudo aquilo quando finalmente me defrontei com o ultimo livro que ele escrevera “My Education”. E então chegamos à minha ultima postagem. O trabalho de Burroughs é dificílimo dado ao alto grau de experimentação e da sua obsessão em destruir a linguagem como ato libertário. Prometo que me aprofundarei no assunto quando chegar a hora. A questão é que “Minha Educação” é a sua autobiografia. Tratando-se de Burroughs isso não poderia vir da forma esperada. Burroughs não escreve a biografia de sua vigília. Ele conta sua existência à partir de seus sonhos. Segue narrando sonhos que teve em cada época de sua vida. Esse é Burroughs. E ao chegar em seu último livro estaremos prontos para recomeçar sua obra.
Segui lendo outros de sua autoria e estudos sobre sua vida e obra. Destaco “Word Virus” editado por James Grauerholz e Ira Silverberg pela Grove Press. Fiquei tão contaminado por ele. Tão impregnado por seu vírus que acho que foi nesse ponto que algo se transubstanciou (mais uma vez) dentro de mim. Seguiremos...

PS. Minha amiga Takai reclamou que não era possível postar comentários a menos que se tivesse um blog. Já alterei as configurações. Qualquer um pode postar agora. Então vamos às respostas rápidas:
César, um dias os cadernos serão publicados. Elvis, assim esperamos. Azusa, me perdoe outra vez. Quanto aos brindes, não me esqueci. Assim que os livros chegarem da gráfica sortearei duas coleções. Burrillo, tudo nos leva a ele. Paulo, bons sonhos e um abraço. Se.dani, viva às terças. Lili, sei que você é você. NEET, agradeço a consulta e gostei da interpretação. Alex Fernades, Tim-Tim. Camilo, nada como a fé. Tinha um amigo que escreveu seu próprio livro dos sonhos para jogar no bicho. Ele anotava o bicho que tinha sonhado e conferia o resultado do jogo. Assim, se sonhava com vaca e dava jacaré quando voltasse a sonhar com vaca já sabia qual era o palpite. Ou seja, jacaré. Mariana, Nana. É bom saber que estivemos em você. Nos seus sonhos. Um abraço. Goldstein, belo ponto. Rodrigo, estarei na estréia. Não perco por nada. Fernando Cazelli, me parece que o lançamento vai ser dia 6 na Livraria da Vila da Fradique. Carolina, por isso estamos aqui. Para não ficarmos tão sózinhos. Gabriel, sairá uma nova edição de O Natimorto pela Companhia das Letras. Yuri, recomendo Ponstam. Abraços.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Figuras no Espaço


Falsificações – e/ou voltando ao assunto.
Conforme diminuo o Lorax os sonhos passam a ser lembrados. Durante décadas deixei de lembrar. Agora, lentamente, passo a reter alguns trechos. Antes só lembrava de fragmentos mínimos, isso quando lembrava. Era como assistir a um longa-metragem e só recordar de um fotograma . Outra noite, isso já faz um tempo, enquanto freqüentava assiduamente os shows do Bortolotto (quando eram realizados no Teatro X todas às terças) tive um sonho intrigante. Era uma situação chata, monótona. Eu via um desses brinquedos de criança em que se deve encaixar figuras geométricas em suas respectivas lacunas. Via as figuras e o tal recipiente. Movia as peças mas não via minhas mãos. Não havia cenário. Eram apenas as peças e os espaços. Como um videogame antigo. Círculos, quadrados, triângulos e estrelas. Acordei passando mal e então descobri a origem do sonho. Doses e doses de uísque falsificado. O teatro era bom, a banda Saco de Ratos excelente, mas evitem o uísque daquele lugar. Sempre levo minha garrafa de bolso, às vezes duas. Naquele dia fui direto de outro lugar. Os shows mudaram para um bar. Caso queiram assistir a um bom show de blues o endereço deve constar no blog do Bortolotto.
Essa coisa de trabalhar com a cabeça é muito desgastante. Nunca consigo descansar. Estou sempre pensando. Sempre apreendendo. Isso não acontece quando assisto aos shows. Me desligo. Dissolvo a individualidade. Esqueço da ilusão do Eu. O ambiente é muito agradável. Sempre cheio de amigos e figuras fraternas. Desde que saiu a tal lei antifumo não volto lá. Quem sabe amanhã?
A vida com menos Lorax não tem sido fácil. Todo fim de tarde, sofro com a síndrome de abstinência. Falta de ar, pressão no peito e dor abdominal. Estou tomando a dosagem mínima para tentar parar. Só por uns dias. E então poderei voltar. Voltar a sentir a paz. A paz absurda que só consigo atingir de forma artificial. A sorte é que o uísque me ajuda. Não pensem que quero fazer apologia, só quero mesmo um pouco de paz.
Abraço a todos. Respondendo em síntese as postagens ai vai:
Valeu César. Obrigado pelo link e ótimo pseudônimo, Tendinite. Rayza, obrigado e um abraço. Mais uma vez, obrigado Azuza. Goldstein, coberto de razão. Ygor, seguimos em frente. Pacha, seremos abraçados. A Vida Como Ela Está, recomendo o Natimorto que estréia no Festival do Rio dia 1 de outubro. Não sei quando entra em cartaz em circuito comercial. Falaremos sobre isso em breve. Valeu Douglas, vou procurar. Obrigado, André. Obrigado, Socorro. Que bom ter você por aqui, Ivana. Estou tentando, Bruna. Abraço, Gabriel. João, o pseudônimo era Illeratum Ocneruol. O que fiz com o Glauco Mattoso era Tadeu Sztejn. Beijo, Érica. NEET, só é possível brindar quando há mais alguém, valeu. Alegórico na veia, Fernando. Amemos, Cazelli. Yuri, mande um beijo para a Gika e vamos marcar o nosso café. Um abraço, Alex.

sábado, 12 de setembro de 2009


E quanto ao que o tempo desuniu?
Maria Julia. Sempre digo que não vou responder os comentários, mas o seu me arrebatou. Realmente eu te carreguei no colo. Lembro de você e da impressionante harmonia que havia em sua casa. Lembro de um delicioso almoço que sua mãe fez. A bicicleta (barra forte) era minha. Eu a usava na época que trabalhei no Maurício de Sousa e morava com a minha avó na Vila Mariana. Todos os dias ia trabalhar de bicicleta da Vila Mariana até a Santa Cecília. Sempre tive um profundo respeito e admiração por seu pai. Um artista incrível, muito talentoso. Só que o Carlão era o meu chefe. E o que sentimos por nossos chefes é sempre muito ambíguo. Sempre aparece alguém querendo reatar laços. Geralmente nem respondo. Então as pessoas dizem que agora que fiquei “famoso” dou as costas ao passado. Poucos podem imaginar o quanto foi, e continua sendo, difícil esse meu caminho profissional. Quando resolvi sair do Maurício de Souza e tentar minha carreira como quadrinhista pedi para seu pai me mandar embora para que eu pudesse receber o fundo de garantia. Ele disse que se era isso o que eu realmente queria ele me mandaria embora com uma única condição: não teria volta.
Eu era jovem e esperançoso. Minha família sempre me pressionou para que eu desistisse dessa carreira de “artista”, mas não queriam que eu deixasse o Maurício porque ali eu tinha o meu “fixo”. No mundo prático eles tinham razão. Mas, esse caminho não é uma escolha. Ninguém decide ser artista. Ou é ou não é. Nunca gostei dessa alcunha: artista. Sempre insisti em dizer que era um artesão. Ao sair do Maurício, naturalmente, quebrei a cara. Poucos podem imaginar o quanto fui desprezado e ridicularizado pelos grandes quadrinhistas da época, Angeli, Laerte e alguns outros. Eu estava com muitos problemas na época. Inclusive de saúde. A minha única esperança era conseguir voltar ao estúdio. Como já sabia, seu pai é um homem de palavra. Eu o admiro por isso. Ele não permitiu nem que eu entrasse no estúdio. Me recebeu na recepção e fomos conversar numa padaria. Não havia volta realmente. Sei que muitos dirão que isso foi bom para mim e talvez tenha sido. Embora talvez pareça o contrário não guardo mágoas de ninguém. Depois de uns meses acabei conseguindo emprego em uma farmácia. Nessa época Rogério de Campos me deu uma página no suplemento Mau da revista Animal. Decidi abrir mão de tudo para tentar viver de quadrinhos. Logo depois cheguei no fundo do poço. Narro um pouco dessa época na história Réquiem. Quando consegui sair da desordem mental que vivi conheci Lucimar. Em seguida ganhei o prêmio da primeira Bienal Internacional de Quadrinhos no Rio de Janeiro. Tinha inclusive um prêmio em dinheiro. Com esse dinheiro resolvi construir uma edícula no quintal da minha sogra que mora no Itaim Paulista e finalmente me casei com a Lu. Caí num golpe e perdemos metade do dinheiro. Mas a Lu trabalhou muito e eu vendi o carro e assim conseguimos construir dois cômodos e um banheiro no bairro mais pobre e afastado da zona Leste de São Paulo. Um bairro repleto de pessoas fortes e fascinantes. Como eu não tinha uma renda mensal era a Lu quem bancava tudo. O mais impressionante é que ela fazia isso com amor. Fazia isso porque acreditava no meu trabalho. Muitas vezes não tínhamos dinheiro para comer. Saíamos. Ficávamos uns dias na casa de amigos ou parentes. Por sorte ainda não tínhamos o Francisco. Às vezes entrava um dinheiro e gastávamos com livros e CDs. Essa sempre foi nossa maior fome. Eu trabalhava entre 12 ou 18 horas por dia. Me afastei de tudo. Minha existência era o meu trabalho. A recompensa era ter a Lu de volta em casa. Minha companhia. Quando a Lu engravidou e isso foi planejado a Devir me acolheu me oferecendo trabalho regular. Ilustrações de RPG. Eu odiava esse trabalho. Ganhava por ilustração. Fazia coisas muito ruins para poder ter o meu sustento. Ninguém nunca me procurou nesses dias. Ninguém sentiu minha falta. Ninguém me chamou para fazer palestra. Sei que tudo isso pode parecer rancoroso. Quando o Francisco nasceu resolvemos deixar o Itaim. Passamos a pagar aluguel e as coisas pioraram muito. Fazíamos de tudo para nos manter. A Lu chegou a vender seus cabelos em momentos difíceis. Eu brinquei que eu devia vender os meus porque eram raros. Nunca a Lu deixou de estar ao meu lado. Nunca me julgou ou cobrou nada. Ela sempre esteve aqui. Um dia só tínhamos farinha e ovos. Para que o Francisco não percebesse as dificuldades que estávamos passando a Lu fez um bolo. Assim é a Lu.
Continuo trabalhando muito. O pouco tempo que me resta dedico aos meus e descanso. Porque (para ser piegas e óbvio) viver é bom, mas cansa. Quando reencontramos alguém sempre fica aquele conversa de lembrança. Sempre dizem que sabiam que eu iria longe. Essa história de sucesso é uma ilusão. Nascemos para o fracasso. Deseje um grande abraço a seu pai. Diga que guardo muito carinho por ele.
Embora possa parecer o contrário, sempre soube perder. A única concessão que fiz ao passado aconteceu recentemente quando o jornal O Estado promoveu um encontro com meu antigo Mestre que me deu aulas na faculdade. Mestre Pedro. Parece que esta matéria está disponível on-line. Sempre sábio, Mestre Pedro me disse que está na hora de eu aprender a ganhar.
Para amarrar com essa busca que venho fazendo neste blog, talvez melhor do que lembrar seja esquecer.
A vida só anda para frente.
E se respondo ao seu comentário não posso deixar de comentar os demais. Não agradeci à observação do Grampá. Não mandei um abraço ao Pacha, ao Yuri, não mencionei o quanto gosto das postagens de Azusa, ou da Socorro Acioli. Não respondi quando estaria no Rio. Não comentei sobre o Golden Label.
Desculpem qualquer coisa.
Também sou de palavras.
Abraço e obrigado pela presença.

terça-feira, 8 de setembro de 2009


CEREJA,CEREJA, CEREJA

- Lu, você lembra quando foi nossa viagem ao Chile?
Lucimar parece entrar em um pequeno transe. Então:
- Eu ainda dava aula...Novembro...dia dos mortos...2007.

1 -Nesses dias (acho que) estive em Santos. Participei de uma mesa com o Mirisola na primeira Tarrafa Literária. Depois corri. Vivo correndo para resolver esse inferno que é a tal da pessoa jurídica. Porque agora todo mundo tem que ter essa bomba para poder emitir nota fiscal. E sempre falta um documento. E paga-se uma montanha de impostos. E se eu já era confuso como uma única pessoa imagine com esse tal de Mutarelli jurídico.
2- Sobre as vantagens da Sertralina, e/ou o único efeito colateral foram as enxaquecas. A Sertralina sem dúvidas me tornou muito mais sociável. Costumo dizer que foi ela que me tornou ator. Por outro lado creio que o preço foi a volta das enxaquecas. Minha enxaqueca é do pior tipo. Costumo perder a visão durante os ataques e depois vem a dor insuportável. Resolvo o problema da dor com um coquetel de codeína, Ponstam e Lorax. É infalível e rende uma paz absurda. Desde que comecei a tomar Lorax nunca mais tinha sofrido de enxaqueca, mas em meados de 2007 voltei a ter ataques seguidos. Como não sofro mais com a dor passei a estudar os padrões luminosos que antecedem o ataque. Muitas vezes esboço a ordem em que se apresentam esses padrões. Por isso afirmo que o ataque que tive no Chile não corresponde a nenhum. Não foi só a Sertralina que me tornou mais sociável porque isso se deve também à cirurgia que fiz para consertar os dentes. Isso me remete diretamente ao Natimorto. Em breve falaremos sobre “O Natimorto” . Vamos deixar tudo isso de lado. Então, antes do feriado comprei um pacote de balas sortidas e comecei a brincar de caça-níquel. A regra é enfiar a mão no pacote e tirar 3 balas sem ver. Parece que estava com sorte. Na terceira tentativa, já com o estômago revirando, tirei: cereja, cereja, cereja.

Alô?/ Quer falar com quem? / Quem?/ Quem o quê?? Desculpe, foi engano.

Depois de amanhã estarei no Rio. Na Bienal do Livro. Nova postagem na volta.